Perguntas e respostas sobre anemia e deficiência de ferro em tempos de COVID-19


De forma súbita e avassaladora, o novo coronavírus fechou-nos em casa, afastou-nos de quem mais gostamos, impediu-nos de trabalhar e tornou-se uma ameaça à saúde. As perguntas, muitas das quais ainda por responder, sucedem-se, assim como as dúvidas, partilhadas por quem vive com anemia. Para estes e todos os que se preocupam com o tema, o Professor Robalo Nunes, presidente do Anemia Working Group Portugal, abordou o tema, em curtos mas esclarecedores vídeos, que podem ser vistos aqui.
Uma das perguntas mais frequentes diz respeito aos grupos de risco: têm as pessoas que sofrem de anemia maior risco de infeção pelo novo coronavírus do que as restantes? “A primeira questão a ter em conta é que nós ainda não sabemos muito sobre esta matéria, ainda estamos numa fase de aprendizagem”, confirma o especialista. Mas a verdade “é que a anemia, independentemente da causa subjacente, compromete sempre a capacidade de transporte de oxigénio a todos os órgãos e a todos os tecidos. E, por essa via, é um fator de agravamento de patologias preexistentes ou de patologias que se vierem a instalar. É isto o que sabemos por agora”, esclarece. Existem também dúvidas associadas aos cuidados que as pessoas com anemia devem ter no contexto da COVID-19. Aqui, Robalo Nunes defende que, “constituindo a anemia um fator de agravamento e de suscetibilidade eventual, devem ser cumpridas, com particular cuidado, aquelas que são as recomendações das autoridades de saúde: o confinamento em casa, a manutenção rigorosa do distanciamento social quando for inevitável a deslocação a espaços com aglomeração de pessoas, a higienização repetida e correta das mãos, com água e sabão ou com uma solução alcoólica, extensível a todo o agregado familiar e a todos os contactos, e a desinfeção de superfícies nas quais se tenha tocado ou que outrem tenha tocado e possa constituir um risco”. Ou seja, os cuidados que são válidos para a população em geral são também para quem sofre de anemia. E no caso de quem tem deficiência de ferro? Para estes, o médico aconselha a que comecem, caso ainda não o façam, o tratamento correspondente, que deve ser sempre prescrito por um médico. Para os que já o fazem, há que continuar, cumprindo a terapêutica instituída, já que, com ou sem anemia, “além de comprometer a questão do transporte de oxigénio, a deficiência de ferro compromete também o metabolismo energético, isto é, a energia que a pessoa tem para despender seja nas suas atividades da vida diária ou noutro tipo de atividades quaisquer que possa ter de fazer circunstancialmente”. Muitos são os que, nestes tempos de pandemia, temem as idas ao médico. É ou não seguro consultar o médico no caso de sintomas de deficiência de ferro e/ou anemia? “Naturalmente que se houver sintomas é importante que estes sejam abordados pelo médico assistente e, hoje em dia, mesmo que tal não seja feito de forma presencial existem maneiras (por teleconsulta, videoconferência ou linhas dedicadas ao esclarecimento de dúvidas) que podem ajudar, e muito, sem que haja grande exposição ao risco da pessoa ter que sair, principalmente nos grupos de risco mais vulneráveis”, reforça o especialista. Resumindo: “é seguro consultar o médico, o que não é seguro é deixar arrastar a situação ao ponto em que esta possa sofrer um agravamento que seja, de facto, constituído com um risco acrescido”. 

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