segunda-feira, 18 de maio de 2020

Perguntas e respostas sobre anemia e deficiência de ferro em tempos de COVID-19


De forma súbita e avassaladora, o novo coronavírus fechou-nos em casa, afastou-nos de quem mais gostamos, impediu-nos de trabalhar e tornou-se uma ameaça à saúde. As perguntas, muitas das quais ainda por responder, sucedem-se, assim como as dúvidas, partilhadas por quem vive com anemia. Para estes e todos os que se preocupam com o tema, o Professor Robalo Nunes, presidente do Anemia Working Group Portugal, abordou o tema, em curtos mas esclarecedores vídeos, que podem ser vistos aqui.
Uma das perguntas mais frequentes diz respeito aos grupos de risco: têm as pessoas que sofrem de anemia maior risco de infeção pelo novo coronavírus do que as restantes? “A primeira questão a ter em conta é que nós ainda não sabemos muito sobre esta matéria, ainda estamos numa fase de aprendizagem”, confirma o especialista. Mas a verdade “é que a anemia, independentemente da causa subjacente, compromete sempre a capacidade de transporte de oxigénio a todos os órgãos e a todos os tecidos. E, por essa via, é um fator de agravamento de patologias preexistentes ou de patologias que se vierem a instalar. É isto o que sabemos por agora”, esclarece. Existem também dúvidas associadas aos cuidados que as pessoas com anemia devem ter no contexto da COVID-19. Aqui, Robalo Nunes defende que, “constituindo a anemia um fator de agravamento e de suscetibilidade eventual, devem ser cumpridas, com particular cuidado, aquelas que são as recomendações das autoridades de saúde: o confinamento em casa, a manutenção rigorosa do distanciamento social quando for inevitável a deslocação a espaços com aglomeração de pessoas, a higienização repetida e correta das mãos, com água e sabão ou com uma solução alcoólica, extensível a todo o agregado familiar e a todos os contactos, e a desinfeção de superfícies nas quais se tenha tocado ou que outrem tenha tocado e possa constituir um risco”. Ou seja, os cuidados que são válidos para a população em geral são também para quem sofre de anemia. E no caso de quem tem deficiência de ferro? Para estes, o médico aconselha a que comecem, caso ainda não o façam, o tratamento correspondente, que deve ser sempre prescrito por um médico. Para os que já o fazem, há que continuar, cumprindo a terapêutica instituída, já que, com ou sem anemia, “além de comprometer a questão do transporte de oxigénio, a deficiência de ferro compromete também o metabolismo energético, isto é, a energia que a pessoa tem para despender seja nas suas atividades da vida diária ou noutro tipo de atividades quaisquer que possa ter de fazer circunstancialmente”. Muitos são os que, nestes tempos de pandemia, temem as idas ao médico. É ou não seguro consultar o médico no caso de sintomas de deficiência de ferro e/ou anemia? “Naturalmente que se houver sintomas é importante que estes sejam abordados pelo médico assistente e, hoje em dia, mesmo que tal não seja feito de forma presencial existem maneiras (por teleconsulta, videoconferência ou linhas dedicadas ao esclarecimento de dúvidas) que podem ajudar, e muito, sem que haja grande exposição ao risco da pessoa ter que sair, principalmente nos grupos de risco mais vulneráveis”, reforça o especialista. Resumindo: “é seguro consultar o médico, o que não é seguro é deixar arrastar a situação ao ponto em que esta possa sofrer um agravamento que seja, de facto, constituído com um risco acrescido”. 

quinta-feira, 9 de abril de 2020

Identificar e tratar a anemia para salvar vidas


Há necessidade de sangue em Portugal. Os sucessivos apelos dão conta disso mesmo e motivam preocupação, não só a nível nacional. Esta escassez não é um exclusivo do nosso país, sendo partilhada por muitos outros que, a braços com uma epidemia global que se combate também através do distanciamento social, têm visto os dadores afastarem-se, receosos de uma possível exposição ao vírus. Em risco ficam os doentes cujas vidas dependem da transfusão de sangue. 

É por ter consciência da iminência desta escassez, causada pela pandemia do COVID-19, que a Society for the Advancement of Blood Management (SABM) decidiu deixar um alerta. Em comunicado, reforça que “para preservar o declínio progressivo no fornecimento de sangue, os Estados Unidos e outros governos, bem como a Organização Mundial da Saúde, é essencial existir programas de Patient Blood Management (PBM) ou, por outras palavras, programas de gestão de sangue dos doentes.”

A SABM acredita que a implementação destes programas é a solução para que parte da atividade clínica necessária possa continuar, de forma a que as reservas de sangue disponíveis possam ser usadas por aqueles que delas mais precisam. Assim, recomenda, entre outras medidas, o diagnóstico e tratamento da anemia.

Se suspeita da doença, fale com o seu médico! Recordamos os sintomas: sensação de fadiga constante, falta de concentração, irritação, falta de memória, palidez, dores de cabeça, tonturas, extremidades frias… Para quem já tem diagnóstico, o conselho é simples: cumpra a medicação prescrita pelo seu médico. Cuide de si!

quarta-feira, 11 de março de 2020

Falta de ferro afeta cerca de metade dos doentes com insuficiência cardíaca


Estima-se que, na Europa e Estados Unidos, 1 a 3% da população adulta sofre de insuficiência cardíaca, problema cuja prevalência aumenta com a idade, chegando aos 5 a 9% dos indivíduos com mais de 65 anos. É expectável que um em cada cinco adultos venha a sofrer de insuficiência cardíaca ao longo da vida. Em Portugal, o estudo Epidemiologia da Insuficiência Cardíaca e Aprendizagem (EPICA), estimou uma prevalência de 4,36%. A estes números junta-se outro: cerca de 50% destes doentes apresenta deficiência de ferro.
Numa entrevista recente, a cardiologista Prof.ª Doutora Cândida Fonseca confirma que uma das comorbilidades que mais influencia, pela negativa, o prognóstico de insuficiência cardíaca é a deficiência de ferro. Os motivos para que o ferro falte são vários e vão desde uma insuficiente ingestão ou absorção, a hemorragias gastrintestinais associadas à medicação ou até ao processo inflamatório que se encontra subjacente à insuficiência cardíaca.
Seja qual for o motivo, o importante é fazer frente a esta deficiência de ferro que, quando não tratada atempada ou convenientemente, pode ter como consequência a anemia e, mesmo sem a presença desta, agrava o prognóstico dos doentes. Um tratamento que tem como objetivos não só a melhoria do estado clínico do doente, como ainda da sua capacidade funcional e da qualidade de vida, prevenindo os reinternamentos e reduzindo mesmo a mortalidade.
A mensagem, para estes doentes, é simples: é necessária a realização de análises laboratoriais regulares para garantir um diagnóstico atempado da deficiência de ferro. Até porque este é um problema que, apesar de afetar tantos doentes e de ter tratamento, fica muitas vezes por identificar.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Anemia, um inimigo na vida no doente oncológico


A batalha contra o cancro nunca é fácil ou simples. Dividida em várias frentes, castiga o corpo e debilita a mente de quem tem de enfrentar o diagnóstico. A tudo isto junta-se ainda a anemia que, confirmam os números, é uma situação comum, atingindo entre 30% a 90% destes doentes. Com implicações que podem ir da fadiga, diminuição na qualidade de vida e até mesmo um impacto no tratamento, sendo mesmo responsável pelo não cumprimento dos ciclos de quimioterapia, a anemia é um inimigo que, nesta guerra, importa não descurar. Definida pela Organização Mundial de Saúde, como uma concentração da hemoglobina inferior a 13g/dl para o homem adulto e a 12g/dl para a mulher adulta ou, ainda, uma descida brusca ou gradual de pelo menos 2g/dl de hemoglobina, ainda que esta se mantenha dentro dos limites normais para a idade e sexo, a anemia tem um impacto que deixa marcas. Para além de tudo o já tem de enfrentar, resultado da doença e do tratamento que a acompanha, o doente oncológico é ainda obrigado a lidar com estas marcas, a começar pela fadiga, que afeta muitos dos aspetos da sua vida diária, seja a capacidade de trabalhar ou desfrutar da vida, o bem-estar físico ou emocional, a intimidade com o(a) parceiro(a), a capacidade de cuidar da família e a relação com a mesma e com os amigos. Resultante da própria doença, dos efeitos do tratamento ou de deficiências nutricionais, a anemia no doente oncológico é, muitas vezes, subdiagnosticada e subtratada, o que tem reflexos importantes na sua qualidade de vida. Mas não tem de ser assim. É que são várias as opções terapêuticas, que dependem do estado anémico em que o doente se encontra, assim como de outros aspetos, como a existência ou não de deficiência de ferro, esta última apontada como a causa principal que, sozinha, se associa a uma diminuição da resistência ao esforço, fraqueza muscular e fadiga. O tratamento existe e, para isso, nada melhor, do que falar com o seu médico assistente e transmitir-lhe o que sente.