quarta-feira, 11 de março de 2020

Falta de ferro afeta cerca de metade dos doentes com insuficiência cardíaca


Estima-se que, na Europa e Estados Unidos, 1 a 3% da população adulta sofre de insuficiência cardíaca, problema cuja prevalência aumenta com a idade, chegando aos 5 a 9% dos indivíduos com mais de 65 anos. É expectável que um em cada cinco adultos venha a sofrer de insuficiência cardíaca ao longo da vida. Em Portugal, o estudo Epidemiologia da Insuficiência Cardíaca e Aprendizagem (EPICA), estimou uma prevalência de 4,36%. A estes números junta-se outro: cerca de 50% destes doentes apresenta deficiência de ferro.
Numa entrevista recente, a cardiologista Prof.ª Doutora Cândida Fonseca confirma que uma das comorbilidades que mais influencia, pela negativa, o prognóstico de insuficiência cardíaca é a deficiência de ferro. Os motivos para que o ferro falte são vários e vão desde uma insuficiente ingestão ou absorção, a hemorragias gastrintestinais associadas à medicação ou até ao processo inflamatório que se encontra subjacente à insuficiência cardíaca.
Seja qual for o motivo, o importante é fazer frente a esta deficiência de ferro que, quando não tratada atempada ou convenientemente, pode ter como consequência a anemia e, mesmo sem a presença desta, agrava o prognóstico dos doentes. Um tratamento que tem como objetivos não só a melhoria do estado clínico do doente, como ainda da sua capacidade funcional e da qualidade de vida, prevenindo os reinternamentos e reduzindo mesmo a mortalidade.
A mensagem, para estes doentes, é simples: é necessária a realização de análises laboratoriais regulares para garantir um diagnóstico atempado da deficiência de ferro. Até porque este é um problema que, apesar de afetar tantos doentes e de ter tratamento, fica muitas vezes por identificar.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Anemia, um inimigo na vida no doente oncológico


A batalha contra o cancro nunca é fácil ou simples. Dividida em várias frentes, castiga o corpo e debilita a mente de quem tem de enfrentar o diagnóstico. A tudo isto junta-se ainda a anemia que, confirmam os números, é uma situação comum, atingindo entre 30% a 90% destes doentes. Com implicações que podem ir da fadiga, diminuição na qualidade de vida e até mesmo um impacto no tratamento, sendo mesmo responsável pelo não cumprimento dos ciclos de quimioterapia, a anemia é um inimigo que, nesta guerra, importa não descurar. Definida pela Organização Mundial de Saúde, como uma concentração da hemoglobina inferior a 13g/dl para o homem adulto e a 12g/dl para a mulher adulta ou, ainda, uma descida brusca ou gradual de pelo menos 2g/dl de hemoglobina, ainda que esta se mantenha dentro dos limites normais para a idade e sexo, a anemia tem um impacto que deixa marcas. Para além de tudo o já tem de enfrentar, resultado da doença e do tratamento que a acompanha, o doente oncológico é ainda obrigado a lidar com estas marcas, a começar pela fadiga, que afeta muitos dos aspetos da sua vida diária, seja a capacidade de trabalhar ou desfrutar da vida, o bem-estar físico ou emocional, a intimidade com o(a) parceiro(a), a capacidade de cuidar da família e a relação com a mesma e com os amigos. Resultante da própria doença, dos efeitos do tratamento ou de deficiências nutricionais, a anemia no doente oncológico é, muitas vezes, subdiagnosticada e subtratada, o que tem reflexos importantes na sua qualidade de vida. Mas não tem de ser assim. É que são várias as opções terapêuticas, que dependem do estado anémico em que o doente se encontra, assim como de outros aspetos, como a existência ou não de deficiência de ferro, esta última apontada como a causa principal que, sozinha, se associa a uma diminuição da resistência ao esforço, fraqueza muscular e fadiga. O tratamento existe e, para isso, nada melhor, do que falar com o seu médico assistente e transmitir-lhe o que sente.