terça-feira, 29 de outubro de 2019

Cansaço: o que é normal e o que pode ser sinal de deficiência de ferro


Estar cansado é um estado universal, que não discrimina consoante a idade, o sexo, a profissão. Cansam-se os mais novos e os mais velhos, os homens e as mulheres, cansam-se aqueles com um trabalho mais físico e também os restantes. Mas ainda que o cansaço possa ser normal, sintoma de dias corridos, com pouco tempo para o descanso, é provavelmente o sintoma mais comummente associado à deficiência de ferro e à anemia. Distinguir o que é cansaço normal do sintoma de que nem tudo vai bem pode não ser tarefa fácil, mas se a exaustão persistir, ou seja, se a falta de energia se prolongar por vários dias, afetando o corpo e a mente sem que haja grandes motivos para tal, então esse pode ser o sinal de que sofre de deficiência de ferro ou anemia. Porquê? A resposta está associada ao oxigénio, ou melhor, à redução deste, resultado de uma diminuição do número das células sanguíneas que fazem o transporte do oxigénio a partir dos pulmões para os órgãos vitais do corpo, os glóbulos vermelhos. Quando assim é, um dos sintomas é a fadiga, uma fadiga que não passa. Neste casos, é importante que valorize o que sente, evitando cair na tentação da justificação simples, ou seja, de associar o cansaço à agitação diária. E é importante também que consulte um médico, explicando o que sente e estando sempre atento a outros sinais que indiquem que sofre de deficiência em ferro. 

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Prevenção em forma de alimentos


É a sabedoria popular que o apregoa e a ciência que o confirma: somos o que comemos. O que significa que comer de forma saudável, que é o mote do Dia Mundial da Alimentação, assinalado esta quarta-feira, é meio caminho andado para uma vida que se quer também ela mais saudável. E a anemia é disso um bom exemplo. Embora possam ser vários os fatores que lhe podem dar origem, o principal é a deficiência de ferro e é através de uma alimentação saudável e equilibrada que se consegue ter o aporte de ferro necessário para prevenir aquele que é um problema de saúde pública a nível mundial.
No menu rico em ferro contam-se vários alimentos, que vão da carne vermelha, fígado, carnes brancas, alguns vegetais de folha verde, feijões, a vários outros. No entanto, nem sempre a ingestão de alimentos ricos em ferro é suficiente para prevenir a anemia. Isto porque há fases da vida que exigem uma maior necessidade deste nutriente, como é o caso da gravidez, cuja prevalência, em Portugal, segundo os dados do estudo EMPIRE, ultrapassa os 50%.
Mas há outros, como a fase de aleitamento, e os períodos de crescimento na infância e adolescência. Outra situação é a que decorre da associação de alimentos capazes de interferir com a absorção do ferro, como é o caso do leite (o cálcio pode inibir a absorção de ferro de origem tanto animal como vegetal) ou do café (a cafeína produz o mesmo efeito).

Tratamento fora do prato
Nestas contas da anemia e da deficiência de ferro existem então diferentes variáveis. A alimentação continua a estar em destaque quando se fala nos vegetarianos e vegans, uma população também em risco de deficiência de ferro e, consequentemente, de anemia. Isto porque, apesar de, na sua dieta, o conceito de alimentação saudável estar presente, o equilibrado nem sempre está - até porque o ferro de origem vegetal, conhecido como ferro não-heme, não é absorvido da mesma forma que o ferro de origem animal. 
Mas se é certo que a prevenção da anemia por deficiência de ferro se pode encontrar no prato, o mesmo já não acontece com o seu tratamento. Depois de instalada, cabe ao médico a recomendação do melhor tratamento, que geralmente passa pela administração de medicamentos para corrigir os níveis de ferro no organismo, por forma a colmatar a carência existente. Por isso, na presença de sintomas, o melhor mesmo é, sempre, consultar um especialista.

terça-feira, 1 de outubro de 2019

A anemia não tem de ser uma inevitabilidade para os idosos


O envelhecimento é uma inevitabilidade. Sempre foi e, pelo menos até que se encontre a tão desejada pílula da eterna juventude, vai continuar a ser. Com ele, surgem desafios, muitos e variados, de ordem social, económica e, claro, de saúde. Mas ainda que, como confirma um trabalho feito a partir do estudo Empire, que caracteriza a prevalência da anemia na população nacional, tanto esta como a deficiência de ferro sejam “altamente prevalentes em adultos portugueses mais velhos, particularmente entre aqueles com idade ≥80 anos”, a anemia não tem de ser uma inevitabilidade nos idosos. E nada melhor do que aproveitar o Dia Internacional do Idoso, que se assinala a 1 de outubro, para o reforçar. 

Atribuída, de forma incorreta, ao envelhecimento, a anemia tem, de acordo com o referido estudo, consequências, que podem ser graves. Associada ao aumento da morbilidade e mortalidade geral nos seniores, é ainda “identificada consistentemente como um preditor independente de mortalidade em pacientes idosos com doença cardiovascular”. Mais ainda, a anemia é também associada ao aumento do risco de queda, fraturas, aumento do risco de hospitalização, comprometimento cognitivo, diminuição da qualidade de vida e comprometimento do desempenho físico geral.

É por isso que os autores do estudo não têm dúvidas sobre a necessidade de implementar “melhores estratégias de diagnóstico, prevenção e tratamento, levando em consideração o papel destacado da deficiência de ferro em adultos portugueses mais velhos, as diferenças entre as regiões e as características intrínsecas dessa população”.