terça-feira, 24 de setembro de 2019

Os riscos no mundo do trabalho


O regresso ao trabalho depois das férias marca o retomar das rotinas. E marca também, para muitos trabalhadores, o retomar da exposição a vários fatores de risco no local de trabalho que podem causar anemia, explica Manuel Oliveira, especialista em Medicina do Trabalho no SAMS. “A anemia pode ser resultante da exposição a fatores de risco, do tipo de local de trabalho, da suscetibilidade individual, tempo de exposição/duração e intensidade da exposição”, refere.

“Existem múltiplos fatores de risco que podem desenvolver um quadro de anemia ”, explica. E um deles é a exposição às radiações ionizantes e a alguns químicos ou tóxicos. “A radiação ionizante é toda a radiação que, ao interagir com a matéria, produz ionização da mesma e origina partículas de carga elétrica (iões). A radiação ionizante, ao  atravessar as células vivas, vai produzir iões e radicais livres que rompem as ligações químicas e provocam alterações moleculares que afetam as células”, refere o especialista em comunicado. 
Entre estas estão as células sanguíneas, “em particular as que originam os vários componentes do sangue e, neste caso, os glóbulos vermelhos, levando a anemia e posteriormente a quadros clínicos mais graves. A gravidade das situações depende se a exposição é aguda ou continuada ao longo do tempo”. 


Apesar da existência de normas nacionais e internacionais de proteção no uso e contacto com estas partículas, Manuel Oliveira confirma que a exposição existe e é, no mundo do trabalho, “um fator de risco de grande impacto na saúde de todos. As suas principais vias de absorção (respiratória, dérmica ou gastrointestinal) condicionam o seu modo de ação, levando a mecanismos hematotóxicos (sanguíneos), entre eles anemia aguda ou crónica, leucemias, linfomas e outras neoplasias, pela sua ação mielotóxica mesmo usados em baixas doses”. 

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Desigualdade também na saúde


Não há como fugir: na rádio, na televisão, nos transportes públicos, online… A desigualdade salarial entre homens e mulheres está na ordem do dia, resultado de uma campanha que chama a atenção para uma batalha antiga, deixando o mote, no feminino: “Eu Mereço Igual”. Mas há outra batalha, fruto de uma também desigualdade que se tem de combater, esta com informação: a da anemia. É que, também aqui, as mulheres estão em desvantagem em relação aos homens.

Os números do estudo EMPIRE, realizado pelo Anemia Working Group Portugal, confirmam este cenário, ou seja, que são as mulheres as principais afetadas pela anemia, sobretudo aquelas com idades entre os 18 e os 24 anos, faixa etária em que a prevalência atinge os 30,5%. 
A menstruação é uma das razões que o justifica. Todos os meses, a perda de sangue, que é um exclusivo feminino, pode deixar marcas, uma vez que, ao perder sangue, que contém ferro, a mulher está também a perder este nutriente . É por isso que, garante a ciência, as mulheres precisam de até duas vezes mais ferro do que os homens na sua alimentação.

Caso este equilíbrio deixe de existir, instala-se progressivamente a deficiência de ferro que, por sua vez, pode dar origem à anemia. É então que se começa a sentir a exaustão, dificuldade de concentração e redução da capacidade de combater as infeções, sintomas de um problema que muitas ainda desconhecem.

O simples facto de ser mulheres aumenta desde logo o risco dos elementos do sexo feminino. A este junta-se a gravidez, uma fase da vida da mulher em que o défice de ferro é uma constante, podendo também este ser causador de anemia.  

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Especialistas recomendam rastreio da anemia e deficiência de ferro a todas as grávidas


Os dados da Organização Mundial da Saúde, referentes a 2011, já tinham confirmado que a anemia é um problema grave entre as grávidas: afetava 26% de todas as gestantes na Europa. O estudo EMPIRE, realizado pelo Anemia Working Group, agravou as preocupações em relação a este grupo populacional, ao verificar que a prevalência ultrapassa os 50%. Motivos de sobra que levaram a Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Medicina Materno-Fetal (SPOMMF) a recomendar o rastreio de anemia e ferropenia, ou seja, a deficiência de ferro, a todas as grávidas no País.
conjunto de Normas de Orientação Clínica da SPOMMF referentes à Anemia na Gravidez e no Puerpério esclarece que “a anemia ferropénica é a causa mais frequente de anemia gestacional”. E, nesse sentido, recomenda o rastreio, que deve ser feito antes da conceção e/ou no 1º trimestre, entre as 24 e 28 semanas de gravidez, assim como no 3º trimestre de gestação. 
É que, nesta fase da vida da mulher, o défice de ferro é uma constante, podendo ser em forma de ausência de reservas de ferro sem a presença de anemia, até à existência da mesma, associada à deficiência de ferro. Facto que faz aumentar o risco para as futuras mamãs e para o feto. Enquanto as primeiras enfrentam problemas como pré-eclâmpsia, descolamento prematuro de placenta, falência cardíaca e até morte, no feto poderão ocorrer consequências graves, como prematuridade, restrição no crescimento e até morte fetal.

As normas, agora publicadas, ressalvam ainda a necessidade de suplementação através de medicamentos prescritos por um especialista, não só com ácido fólico, mas também com ferro, em mulheres sem anemia.