terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Mais do que resoluções, faça decisões de ano novo


Com a chegada do ano novo, multiplicam-se as resoluções, transformadas em promessas: que este ano vamos praticar mais exercício físico, que vamos comer melhor, que vamos estar mais atentos à saúde. Promessas que não costumam passar disso mesmo. 

As desculpas para tal são muitas, como a falta de tempo, a agitação do dia-a-dia, a falta de paciência. Mas tendo em conta que a anemia, sobretudo aquela que é associada a uma deficiência de ferro, é já considerada um problema de saúde pública, afetando milhares de portugueses, e tendo em conta também que o teste que confirma a sua presença é simples e de fácil acesso, não há nada que impeça que a atenção à anemia e deficiência de ferro se torne, mais do que uma resolução, uma decisão para 2020.

Para isso, basta apenas que se dirija ao seu médico e que peça para fazer o exame de sangue.

Mais info em (https://orostodaanemia.blogspot.com/2019/07/descobrir-anemia-os-exames-que-poem.html), que valoriza os sintomas e que procure mais informação. Passe das palavras à ação e junte-se à luta contra a anemia.

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

Dicas e conselhos para um Natal de ferro


Quando se fala de anemia tem de se falar de deficiência de ferro, uma vez que esta, ainda que não seja a única, é a principal responsável pelos casos de anemia. E quando se fala em ferro é quase inevitável falar em alimentação, tema que vem a propósito da quadra natalícia. Afinal, quem é que ainda não pensou sobre qual a melhor forma de apresentar o bacalhau da consoada, qual o melhor prato para a mesa do dia 25 ou que sobremesas prometem adoçar esta noite em família? 

Porque a prevenção continua a ser o melhor remédio e porque, aqui, esta passa pela alimentação, que tal reforçar a atenção prestada ao que coloca no prazo nesta época? É no equilíbrio que está o segredo e este significa comer com conta, peso e medida, mesmo que seja complicado resistir a todas as tentações que costumam encher a mesa nesta altura do ano.

Seja um menu mais tradicional ou mais arrojado, há opções saudáveis para todos os gostos. Se é vegetariano, o blog do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, da Direção-Geral da Saúde, deixa uma sugestão rica em ferro e não só: abóbora-menina recheada com castanhas, cogumelos e avelãs (uma receita que encontra aqui), que junta os hortícolas da época, aos frutos gordos, resultando num prato “rico em sabores e texturas”, complementado com um puré de feijão branco.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Junte o seu rosto à campanha do Dia da Anemia!


Já aqui o dissemos, mas nunca é demais repeti-lo: a anemia é um problema de saúde pública. E nunca é demais também reforçar que, apesar de afetar um em cada cinco portugueses adultos em qualquer momento da sua vida, os seus sintomas continuam a ser pouco valorizados, ignorados, relegados para segundo plano. É para que não se esqueça deles, para ajudar a reconhecê-los de imediato e a procurar ajuda médica que foi criado https://orostodaanemia.pt/junte-se-a-campanha/.

Nesta aplicação pode, ao mesmo tempo, informar e ser informado de uma forma simples. Pode alertar, sensibilizar e ajudar, tornando-se o rosto da luta contra a anemia, que pode afetar cada um de nós, desde crianças a adultos, homens ou mulheres.

Para isso, basta apenas que carregue uma fotografia sua e que, de entre a lista de sintomas que indicam a presença de anemia, escolha os que melhor entender.
O passo seguinte é partilhar nas suas redes sociaisdivulgar junto de familiares e amigos, passar a palavra. Porque todos podemos ser o rosto da anemia.

---> JUNTE-SE AQUI À CAMPANHA <---




Mulheres unidas contra a anemia


Nunca tive anemia. E embora conheça uma pessoa que já teve, a proximidade entre nós não é suficiente para uma partilha sobre o tema. Confesso que, sobre este problema de saúde, sei o básico. Ou seja, sei que da lista de sintomas mais comuns fazem parte a palidez e o cansaço, algo que sinto com frequência. Afinal, quem não sente? Mas acho que, tal como a esmagadora maioria das pessoas, costumo associar esse cansaço ao stress diário. Tendo em conta o dia-a-dia agitado e ocupado que levo, não pensaria primeiro em anemia. Mas é algo em se pensar e atentar.

Sei também que, pelo simples facto de ser mulher, o risco de vir a ter anemia é maior. Como se não bastasse já a discriminação que nós, mulheres, somos vítimas em tantas áreas, também aqui os homens levam a melhor. Mas admito que não sabia bem porquê. E o desafio de escrever sobre o tema, a propósito da campanha O Rosto da Anemia, levou-me a ir à procura dos motivos. 

Fiquei então a saber que tem tudo a ver com o ferro ou com a falta deste. Dizem os especialistas que existem alturas na vida das mulheres em que o risco de deficiência de ferro é maior. Acontece com a menstruação - se a quantidade de ferro na alimentação não for suficiente para corresponder à quantidade de ferro perdida através do período, podemos ficar com deficiência de ferro e esta é a principal responsável pela anemia. E acontece também com a gravidez e o pós-parto. 

É, por isso, importante fazer o rastreio, ou seja, análises de sangue. Porque já que não podemos evitar ser um grupo de risco, pelo menos podemos agir no sentido de prevenir este problema.

Vanda Miranda

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Anemia, uma preocupação de mãe


Foi numas análises de rotina que descobri que tinha anemia. E foi apenas nessa altura que percebi que alguns dos sintomas que me acompanhavam não eram, afinal, normais. A verdade é que muitos deles faziam muito sentido para mim, como o cansaço extremo que, mesmo sem causa aparente, eu acabava sempre por conseguir justificar, assim como o tom de pele mais pálido e um estado de espírito mais apático. Nessa altura, procurei mais informação e percebi que a anemia pode ser algo bastante complexo e grave e que pode afetar qualquer um, até mesmo as crianças.

Como mãe, uma das minhas maiores preocupações é a saúde dos meus filhos. Quero vê-los felizes e quero sobretudo vê-los bem. Por isso, penso na alimentação, na minha e na deles. Acredito mesmo que esta pode ser uma forma de prevenção de doenças e, ainda que não sendo extremista, opto por ser muito cuidadosa com o tipo de alimentação que têm, sobretudo em casa. Acima de tudo, preocupo-me com a variedade, ou seja, privilegiamos as frutas e legumes da época, pois acredito que tem os nutrientes que o nosso organismo precisa nas diferentes alturas do ano, e também com a qualidade, consumimos local e biológico sempre que possível. 

Sei que estar atento ao que se coloca no prato é uma forma de prevenir a anemia, até porque os especialistas não têm dúvidas que a principal responsável por este problema na infância é a deficiência de ferro. Mas também sei que, independentemente dos cuidados, é importante estar atento aos sinais, como o cansaço, falta de apetite e pele pálida. E, claro, consultar um médico quando algo não vai bem. É que a anemia e a deficiência de ferro têm tratamento, um tratamento que os especialistas conhecem bem.


Vera Dias Pinheiro (blog As viagens dos V's)

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Está grávida? Então esteja atenta à anemia e deficiência de ferro


Quando estamos grávidas pensamos em muitas coisas. Pensamos no parto, pensamos em como vai ser o bebé, em como é que a maternidade vai mudar as nossas vidas e afastamos rapidamente os muitos receios, inevitáveis para todas as futuras mamãs. Comigo foi assim. Pensei em tudo isto, mas confesso que, pelo menos de início, não pensei em anemia ou falta de ferro. E confesso também que não sabia que as grávidas são um grupo de risco para estes problemas.

Por isso é que, quando me pediram, a propósito do Dia da Anemia, que se assinala a 26 de novembro, para escrever sobre o tema não pude recusar. Porque sei que, tal como aconteceu comigo, são muitas as grávidas que não conhecem este problema e que não sabem que podem vir a sofrer com ele ou que, nesta fase da vida das mulheres, o défice de ferro é uma constante. E é importante que conheçam, se informem e façam as análises necessárias para diagnosticar anemia ou deficiência de ferro.

Foi o que aconteceu comigo. Lembro-me de, um dia, estar em pé numa fila e de me sentir tonta, tendo que me sentar para não desmaiar. Fiz as análises e acusaram falta de ferro, um problema que a minha médica rapidamente conseguiu resolver, com medicação para o efeito. E assim, de uma forma fácil e simples, deixei de estar em risco, eu e as minhas bebés. Porque aquilo que eu não sabia é que este problema estava também a colocar em risco o bom desenvolvimento das minhas bebés e, caso persistisse, iria influenciar as propriedades do leite na hora de amamentar.

Hoje, já conheço bem os sintomas, como o cansaço e palidez. Estou bem mais atenta, até porque sei que, apesar de já ter tido as minhas filhas, continuo, pelo simples facto de ser mulher, a fazer parte de um grupo de risco para a anemia. E com a saúde não se brinca!  

Helena Costa

terça-feira, 26 de novembro de 2019

Está na hora de fazer o rastreio da anemia


A anemia não é um conceito novo para mim e conheço bem os sintomas (fadiga, palidez, dores de cabeça, queda de cabelo), sabendo que, na maioria dos casos, está associada a uma deficiência de ferro. Mas sei também que são ainda muitas as pessoas que desconhecem o tema, o que me levou a aceitar o desafio de escrever sobre o assunto, no âmbito do Dia da Anemia, que se assinala a 26 de novembro. 

Como alguém que não consome nada de origem animal, sei que há cuidados a ter com a alimentação para compensar uma eventual carência de ferro. Cuidados que, claro, procuro ter. Mas acima de tudo, aquilo que procuro é conseguir um equilíbrio no que como. Fruta, legumes, leguminosas, proteínas, bons hidratos de carbono, gorduras boas… todos fazem parte da minha alimentação, sendo a estes que vou buscar os macro e micronutrientes essenciais.

Já o disse e volto a dizer: cada organismo é diferente e, por isso, reage de forma diferente quando se muda o regime alimentar, que foi o que decidi fazer, há uns anos. O ideal é ir devagar. Tirar primeiro a carne, depois o peixe, se for o caso o leite e derivados e os ovos e fazê-lo de uma forma gradual. Algo que tanto pode levar semanas como meses ou anos. O mais importante é saber ouvir o corpo, que fala connosco quando as coisas estão menos bem, perceber se ele está confortável com a situação e se podemos continuar ou não a retirar coisas da alimentação. Em caso de dúvida, o melhor mesmo é consultar um médico.

Estas mudanças alimentares podem causar deficiência de ferro. E podem levar à anemia. Mas é tão simples fazer o rastreio deste problema. Se nunca o fizeste, aproveita agora. Fala com o teu médico, pede a análise para detetar a anemia ou a deficiência de ferro. Se esta existir, é também ao médico que cabe prescrever o tratamento certo. 

Carolina Gomes da Silva




terça-feira, 29 de outubro de 2019

Cansaço: o que é normal e o que pode ser sinal de deficiência de ferro


Estar cansado é um estado universal, que não discrimina consoante a idade, o sexo, a profissão. Cansam-se os mais novos e os mais velhos, os homens e as mulheres, cansam-se aqueles com um trabalho mais físico e também os restantes. Mas ainda que o cansaço possa ser normal, sintoma de dias corridos, com pouco tempo para o descanso, é provavelmente o sintoma mais comummente associado à deficiência de ferro e à anemia. Distinguir o que é cansaço normal do sintoma de que nem tudo vai bem pode não ser tarefa fácil, mas se a exaustão persistir, ou seja, se a falta de energia se prolongar por vários dias, afetando o corpo e a mente sem que haja grandes motivos para tal, então esse pode ser o sinal de que sofre de deficiência de ferro ou anemia. Porquê? A resposta está associada ao oxigénio, ou melhor, à redução deste, resultado de uma diminuição do número das células sanguíneas que fazem o transporte do oxigénio a partir dos pulmões para os órgãos vitais do corpo, os glóbulos vermelhos. Quando assim é, um dos sintomas é a fadiga, uma fadiga que não passa. Neste casos, é importante que valorize o que sente, evitando cair na tentação da justificação simples, ou seja, de associar o cansaço à agitação diária. E é importante também que consulte um médico, explicando o que sente e estando sempre atento a outros sinais que indiquem que sofre de deficiência em ferro. 

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Prevenção em forma de alimentos


É a sabedoria popular que o apregoa e a ciência que o confirma: somos o que comemos. O que significa que comer de forma saudável, que é o mote do Dia Mundial da Alimentação, assinalado esta quarta-feira, é meio caminho andado para uma vida que se quer também ela mais saudável. E a anemia é disso um bom exemplo. Embora possam ser vários os fatores que lhe podem dar origem, o principal é a deficiência de ferro e é através de uma alimentação saudável e equilibrada que se consegue ter o aporte de ferro necessário para prevenir aquele que é um problema de saúde pública a nível mundial.
No menu rico em ferro contam-se vários alimentos, que vão da carne vermelha, fígado, carnes brancas, alguns vegetais de folha verde, feijões, a vários outros. No entanto, nem sempre a ingestão de alimentos ricos em ferro é suficiente para prevenir a anemia. Isto porque há fases da vida que exigem uma maior necessidade deste nutriente, como é o caso da gravidez, cuja prevalência, em Portugal, segundo os dados do estudo EMPIRE, ultrapassa os 50%.
Mas há outros, como a fase de aleitamento, e os períodos de crescimento na infância e adolescência. Outra situação é a que decorre da associação de alimentos capazes de interferir com a absorção do ferro, como é o caso do leite (o cálcio pode inibir a absorção de ferro de origem tanto animal como vegetal) ou do café (a cafeína produz o mesmo efeito).

Tratamento fora do prato
Nestas contas da anemia e da deficiência de ferro existem então diferentes variáveis. A alimentação continua a estar em destaque quando se fala nos vegetarianos e vegans, uma população também em risco de deficiência de ferro e, consequentemente, de anemia. Isto porque, apesar de, na sua dieta, o conceito de alimentação saudável estar presente, o equilibrado nem sempre está - até porque o ferro de origem vegetal, conhecido como ferro não-heme, não é absorvido da mesma forma que o ferro de origem animal. 
Mas se é certo que a prevenção da anemia por deficiência de ferro se pode encontrar no prato, o mesmo já não acontece com o seu tratamento. Depois de instalada, cabe ao médico a recomendação do melhor tratamento, que geralmente passa pela administração de medicamentos para corrigir os níveis de ferro no organismo, por forma a colmatar a carência existente. Por isso, na presença de sintomas, o melhor mesmo é, sempre, consultar um especialista.

terça-feira, 1 de outubro de 2019

A anemia não tem de ser uma inevitabilidade para os idosos


O envelhecimento é uma inevitabilidade. Sempre foi e, pelo menos até que se encontre a tão desejada pílula da eterna juventude, vai continuar a ser. Com ele, surgem desafios, muitos e variados, de ordem social, económica e, claro, de saúde. Mas ainda que, como confirma um trabalho feito a partir do estudo Empire, que caracteriza a prevalência da anemia na população nacional, tanto esta como a deficiência de ferro sejam “altamente prevalentes em adultos portugueses mais velhos, particularmente entre aqueles com idade ≥80 anos”, a anemia não tem de ser uma inevitabilidade nos idosos. E nada melhor do que aproveitar o Dia Internacional do Idoso, que se assinala a 1 de outubro, para o reforçar. 

Atribuída, de forma incorreta, ao envelhecimento, a anemia tem, de acordo com o referido estudo, consequências, que podem ser graves. Associada ao aumento da morbilidade e mortalidade geral nos seniores, é ainda “identificada consistentemente como um preditor independente de mortalidade em pacientes idosos com doença cardiovascular”. Mais ainda, a anemia é também associada ao aumento do risco de queda, fraturas, aumento do risco de hospitalização, comprometimento cognitivo, diminuição da qualidade de vida e comprometimento do desempenho físico geral.

É por isso que os autores do estudo não têm dúvidas sobre a necessidade de implementar “melhores estratégias de diagnóstico, prevenção e tratamento, levando em consideração o papel destacado da deficiência de ferro em adultos portugueses mais velhos, as diferenças entre as regiões e as características intrínsecas dessa população”.

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Os riscos no mundo do trabalho


O regresso ao trabalho depois das férias marca o retomar das rotinas. E marca também, para muitos trabalhadores, o retomar da exposição a vários fatores de risco no local de trabalho que podem causar anemia, explica Manuel Oliveira, especialista em Medicina do Trabalho no SAMS. “A anemia pode ser resultante da exposição a fatores de risco, do tipo de local de trabalho, da suscetibilidade individual, tempo de exposição/duração e intensidade da exposição”, refere.

“Existem múltiplos fatores de risco que podem desenvolver um quadro de anemia ”, explica. E um deles é a exposição às radiações ionizantes e a alguns químicos ou tóxicos. “A radiação ionizante é toda a radiação que, ao interagir com a matéria, produz ionização da mesma e origina partículas de carga elétrica (iões). A radiação ionizante, ao  atravessar as células vivas, vai produzir iões e radicais livres que rompem as ligações químicas e provocam alterações moleculares que afetam as células”, refere o especialista em comunicado. 
Entre estas estão as células sanguíneas, “em particular as que originam os vários componentes do sangue e, neste caso, os glóbulos vermelhos, levando a anemia e posteriormente a quadros clínicos mais graves. A gravidade das situações depende se a exposição é aguda ou continuada ao longo do tempo”. 


Apesar da existência de normas nacionais e internacionais de proteção no uso e contacto com estas partículas, Manuel Oliveira confirma que a exposição existe e é, no mundo do trabalho, “um fator de risco de grande impacto na saúde de todos. As suas principais vias de absorção (respiratória, dérmica ou gastrointestinal) condicionam o seu modo de ação, levando a mecanismos hematotóxicos (sanguíneos), entre eles anemia aguda ou crónica, leucemias, linfomas e outras neoplasias, pela sua ação mielotóxica mesmo usados em baixas doses”. 

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Desigualdade também na saúde


Não há como fugir: na rádio, na televisão, nos transportes públicos, online… A desigualdade salarial entre homens e mulheres está na ordem do dia, resultado de uma campanha que chama a atenção para uma batalha antiga, deixando o mote, no feminino: “Eu Mereço Igual”. Mas há outra batalha, fruto de uma também desigualdade que se tem de combater, esta com informação: a da anemia. É que, também aqui, as mulheres estão em desvantagem em relação aos homens.

Os números do estudo EMPIRE, realizado pelo Anemia Working Group Portugal, confirmam este cenário, ou seja, que são as mulheres as principais afetadas pela anemia, sobretudo aquelas com idades entre os 18 e os 24 anos, faixa etária em que a prevalência atinge os 30,5%. 
A menstruação é uma das razões que o justifica. Todos os meses, a perda de sangue, que é um exclusivo feminino, pode deixar marcas, uma vez que, ao perder sangue, que contém ferro, a mulher está também a perder este nutriente . É por isso que, garante a ciência, as mulheres precisam de até duas vezes mais ferro do que os homens na sua alimentação.

Caso este equilíbrio deixe de existir, instala-se progressivamente a deficiência de ferro que, por sua vez, pode dar origem à anemia. É então que se começa a sentir a exaustão, dificuldade de concentração e redução da capacidade de combater as infeções, sintomas de um problema que muitas ainda desconhecem.

O simples facto de ser mulheres aumenta desde logo o risco dos elementos do sexo feminino. A este junta-se a gravidez, uma fase da vida da mulher em que o défice de ferro é uma constante, podendo também este ser causador de anemia.  

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Especialistas recomendam rastreio da anemia e deficiência de ferro a todas as grávidas


Os dados da Organização Mundial da Saúde, referentes a 2011, já tinham confirmado que a anemia é um problema grave entre as grávidas: afetava 26% de todas as gestantes na Europa. O estudo EMPIRE, realizado pelo Anemia Working Group, agravou as preocupações em relação a este grupo populacional, ao verificar que a prevalência ultrapassa os 50%. Motivos de sobra que levaram a Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Medicina Materno-Fetal (SPOMMF) a recomendar o rastreio de anemia e ferropenia, ou seja, a deficiência de ferro, a todas as grávidas no País.
conjunto de Normas de Orientação Clínica da SPOMMF referentes à Anemia na Gravidez e no Puerpério esclarece que “a anemia ferropénica é a causa mais frequente de anemia gestacional”. E, nesse sentido, recomenda o rastreio, que deve ser feito antes da conceção e/ou no 1º trimestre, entre as 24 e 28 semanas de gravidez, assim como no 3º trimestre de gestação. 
É que, nesta fase da vida da mulher, o défice de ferro é uma constante, podendo ser em forma de ausência de reservas de ferro sem a presença de anemia, até à existência da mesma, associada à deficiência de ferro. Facto que faz aumentar o risco para as futuras mamãs e para o feto. Enquanto as primeiras enfrentam problemas como pré-eclâmpsia, descolamento prematuro de placenta, falência cardíaca e até morte, no feto poderão ocorrer consequências graves, como prematuridade, restrição no crescimento e até morte fetal.

As normas, agora publicadas, ressalvam ainda a necessidade de suplementação através de medicamentos prescritos por um especialista, não só com ácido fólico, mas também com ferro, em mulheres sem anemia.

terça-feira, 27 de agosto de 2019

De olhos postos no ferro: prevenir a recorrência da DII


A vida de quem sofre de doença inflamatória intestinal (DII) já não é fácil. Os sintomas, nem sempre fáceis de controlar, fazem-se sentir a nível físico e psicológico, com dor abdominal e idas constantes à casa de banho. Uma vida que se complica ainda mais quando a este problema se junta outro: a deficiência de ferro, que conduz à anemia, problema que afeta, por cá, cerca de 15 a 20% destes doentes. “A anemia é uma entidade mórbida e uma das complicações da DII que mais contribui para a perda de qualidade de vida, devido à múltipla sintomatologia provocada, pelo que a sua deteção e correção são muito importantes para a manutenção da qualidade de vida”, confirma João Ramos de Deus, gastroenterologista.

Detetar e corrigir é, como refere o especialista, determinante para uma boa qualidade de vida, mas prevenir a sua recorrência não é menos importante, o que passa por estar atento aos níveis de ferro, a chamada ferritina. É que, ainda que sejam vários os mecanismos que podem levar à anemia, é essencialmente por défice de absorção de ferro que esta acontece, como confirma João Ramos de Deus, juntando-se as dificuldades na absorção de vitamina B12 e ácido fólico e ainda “a ação inibidora sobre a medula óssea, que tem a ver com a própria inflamação intestinal e devido às perdas crónicas de sangue pelo tubo digestivo”.

Ana Sampaio, presidente da Associação Portuguesa da Doença Inflamatória do Intestino (APDI), esclarece que “tanto a colite ulcerosa como a doença de Crohn comprometem a capacidade de absorção intestinal nos momentos de crise. Por isso, não é possível absorver todos os nutrientes e minerais dos alimentos e o que acaba por acontecer é instalar-se a anemia decorrente da falta de ferro”.

Hoje, os resultados das análises já indicam os valores de referência da ferritina não só para a população em geral, mas também para alguns grupos de risco, entre os quais os doentes com DII, para quem os valores de ferritina devem estar acima dos 100 ng/ml em caso de doença ativa. Mesmo sem anemia, valores abaixo deste devem motivar a consulta de um especialista, para evitar a recorrência da anemia. Porque, tal como reforça Ana Sampaio, para os doentes, a anemia e a deficiência de ferro são um peso acrescido. “Estas doenças já se caracterizam por condicionar a vida das pessoas. A anemia e a deficiência de ferro condicionam ainda mais, ao retirar energia. Os doentes não conseguem fazer tarefas simples do dia a dia, como estender a roupa ou subir uma rua mais íngreme. O cansaço é constante.”

É preciso, por isso, alerta Ana Sampaio, maior atenção por parte dos doentes para os sintomas da anemia e da deficiência de ferro e também dos médicos, que precisam de ser mais sensibilizados para a relação entre estes e a DII.

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Os atletas também podem ser rostos da anemia


A anemia não é uma doença elitista, ainda que um pouco sexista (afeta mais as mulheres). Não discrimina consoante o nível de educação, os rendimentos ou até a forma física. É que, aqui, nem os atletas escapam, apesar de, para este grupo específico, faltarem estudos capazes de identificar a prevalência desta condição clínica. Mas segundo Hélder Dores, especialista em Cardiologia Desportiva do Hospital das Forças Armadas e da NOVA Medical School, são vários os trabalhos que confirmam que a prevalência da “anemia e deficiência de ferro é superior em atletas do que na população geral saudável”.

Com sintomas que fazem com que se confunda com vários outros problemas, alguns mesmo decorrentes de uma vida mais agitada, muitas vezes a anemia é apenas detetada em exames de rotina. Um problema que “pode afetar a prática de desporto, bem como qualquer atividade física na população geral”. Mas no caso dos “atletas de elevado nível competitivo, nos quais todos os pormenores contam, a anemia afeta significativamente o seu rendimento”, explica Hélder Dores. Cansaço e taquicardia, manifestações típicas da anemia, “têm uma influência óbvia, precipitando estados de exaustão e dificultando a fase de recuperação. Por outro lado, a anemia e a deficiência de ferro afetam outros sistemas como o sistema imune e outras funções fisiológicas, com impacto na prática desportiva”.

A deteção precoce é fundamental, para a implementação de “estratégias preventivas e tratamentos adequados”. Mas para isso é preciso que os atletas conheçam a anemia, identificando os sintomas, reconhecendo os sinais de alerta, algo que, refere Hélder Dores, não acontece. Um desconhecimento que, acrescenta, “deve ser semelhante à população geral, em que mais de 80% das pessoas com anemia desconhecem a sua existência”. 
Até porque “a pesquisa de anemia não constitui uma rotina, exceto na presença de sintomatologia suspeita ou em determinados desportos de atleta de nível competitivo, em que a avaliação analítica é comum, incluindo sempre um hemograma”. Algo que, defende o especialista, é urgente mudar. “No contexto competitivo atual, com início cada vez mais precoce da prática de exercício, exigências de treino superiores, volumes de exercício progressivamente maiores, número crescente de atletas femininas e o reconhecimento da importância do apoio nutricional e da suplementação dos atletas, a pesquisa de anemia faz todo o sentido.”

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Anemia, um risco também para as crianças


Não se conhecem os números. Não se sabe quantas crianças sofrem, em Portugal, de anemia, mas sabe-se que, tal como acontece com os adultos, também aqui o principal responsável é a deficiência de ferro. Lino Rosado, pediatra, conhece bem o problema. E confirma que, apesar de “a incidência de anemia por falta de ferro na criança ter vindo a diminuir significativamente nas últimas décadas, mantém-se ainda como a causa mais frequente de anemia e de deficiência nutricional”.

O problema costuma manifestar-se sobretudo no primeiro ano de vida. Resultado de “um crescimento muito rápido” ou da “ingestão inadequada de ferro”, afeta sobretudo “os bebés nascidos pré-termo e as crianças com baixo peso ao nascer, assim como as crianças que mantêm durante muito tempo uma alimentação exclusivamente láctea”.

O risco existe. Mas a boa notícia é que, aqui, “a intervenção dietética durante os rápidos períodos de crescimento, assim como a suplementação em crianças de risco” ajuda a prevenir a ferrópenia e consequente anemia por falta de ferro.

Estar atento aos sinais que indiciam a presença de anemia nos mais pequenos, como “o cansaço, falta de apetite e pele e mucosas pálidas” é fundamental, até porque, reforça o especialista, “a carência em ferro pode ainda ter implicações no desenvolvimento da criança e em particular no neurodesenvolvimento”.

Porque a anemia tem rosto e este pode ser o de cada um de nós, partilhe a sua história ou testemunho sobre este problema de saúde, que não precisa de ser uma inevitabilidade. Escreva para orostodaanemia@gmail.com

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Descobrir a anemia: os exames que põem tudo em pratos limpos


É uma das análises mais frequentemente pedidas pelos médicos. Isto porque o hemograma, um exame de sangue que, por isso mesmo, exige uma colheita do mesmo, quantifica e avalia os três principais componentes sanguíneos: os glóbulos vermelhos ou eritrócitos, responsáveis por fazer o transporte do oxigénio e dos nutrientes no organismo; os glóbulos brancos, também conhecidos por leucócitos, cuja tarefa é fazer a defesa contra os agentes inimigos e as plaquetas, associadas à coagulação do sangue. E é também este o exame pedido pelos especialistas em caso de suspeita de anemia. Uma suspeita que se confirma quando a hemoglobina, que transporta o oxigénio dos pulmões ao resto do corpo, e os glóbulos vermelhos apresentam valores baixos.

Para perceber se a anemia é resultante de uma deficiência de ferro, é necessário fazer mais. É aqui que entra o exame conhecido pela sigla TSAT, o mesmo é dizer, índice de saturação da transferrina sérica, que indica a quantidade de ferro presente no sangue. A este junta-se outro, o da ferritina sérica, um indicador da quantidade de reservas de ferro presentes no organismo, cujos valores esclarecem se a anemia é ou não ferropénica.

Os resultados das análises são avaliados por um especialista e é a este que, perante o diagnóstico, cabe a prescrição do tratamento. É que, se não for tratada, a anemia pode agravar outros problemas de saúde, como a insuficiência cardíaca, ao requerer maior esforço ao coração, havendo ainda compromisso da qualidade de vida, menor disponibilidade física e mental, o que pode ter implicações negativas no rendimento laboral e na vida familiar.

sexta-feira, 5 de julho de 2019

F de força, f de ferro


Ferro é sinónimo de força e de resistência. E é também um nutriente essencial, importante na manutenção de muitas funções do organismo e um dos protagonistas na produção de hemoglobina, que tem a missão de transportar o oxigénio dos pulmões para os tecidos. É o herói na história de uma vida saudável, mas pode transformar-se em vilão quando em falta, o que o torna um dos principais responsáveis pela anemia.

Conhecida como ferropénia, a deficiência deste mineral é, de facto, o amigo número 1 da anemia. Disponível através da alimentação, é também no prato que se pode prevenir este problema de saúde pública que, em Portugal, afeta qualquer coisa como um em cada cinco adultos em qualquer momento da sua vida. Na lista das melhores fontes de ferro estão alimentos de origem animal como carne vermelha e marisco, aos quais se juntam nozes, feijões, alguns vegetais e cereais fortificados, sendo a melhor receita, para este e outros problemas de saúde, uma alimentação equilibrada. 

Mas se a alimentação pode ajudar a prevenir o problema, o mesmo não acontece quando se trata de o solucionar. Quando há, de facto, ferropénia, é ao médico que cabe indicar e supervisionar o tratamento adequado. Até porque, se a deficiência de ferro pode ser um problema, também o seu excesso tem consequências, já confirmadas pela ciência. E ainda que o impacto do excesso de ferro seja menos conhecido, sabe-se que pode conduzir a doenças do fígado, problemas cardíacos e até diabetes nos casos mais extremos. 

Esteja, por isso, atento aos seus níveis de ferro, o que pode ser confirmado através de análises, que incluem não só o hemograma completo mas também o estudo do ferro. E quando estes revelarem alterações, consulte um médico, a pessoa mais indicada para aconselhar a melhor forma para resolver o problema.

terça-feira, 25 de junho de 2019

Ter uma saúde de Ferro


É um nutriente essencial para o organismo, para a saúde física e mental e para manter os níveis de energia adequados às atividades diárias. E é por isso que, quando falta, o organismo dá sinal, através de sintomas que podem confundir quem os sente, mas que se agravam se nada for feito. Falamos do ferro, cuja deficiência é a principal responsável pela anemia e que tem um impacto significativo na saúde, aumentando o risco de morbilidade e mortalidade por agravamento de doenças subjacentes. 
Mas o que provoca afinal a deficiência de ferro, conhecida como ferropénia? 

A fadiga é presença de quem tem falta de ferro no organismo, uma falta de energia e exaustão que é constante. A concentração começa a faltar, afetando a memória a curto prazo, que deixa de ser o que era, causando ainda irritação, também ela constante.
Vontade de comer terra, argila ou amido são desejos estranhos, mas frequentes para aqueles que têm deficiência de ferro, aos quais se junta uma vontade irresistível de comer ou mastigar gelo.
As pernas tornam-se inquietas, sendo aqui constante o desconforto sentido, que se faz sentir ainda a outro nível, o do frio. Este torna-se o pior inimigo, fazendo com que aqueles afetados pela ferropénia sejam intolerantes e com dificuldade em regular a temperatura corporal.
O cabelo começa a cair com mais frequência do que o normal, as unhas tornam-se fracas e quebradiças e instala-se a palidez, resultado de uma redução da hemoglobina no sangue. 
No corpo, as nódoas negras surgem com mais frequência e, na boca, multiplicam-se as aftas. A respiração é também afetada, com a deficiência de ferro a roubar o fôlego até para as coisas mais simples, como subir um lance de escadas. As infeções, como constipações, tornam-se recorrentes, assim como as dores de cabeça e a perda auditiva, que surge de forma súbita.


Porque a anemia tem rosto e este pode ser o de cada um de nós, partilhe a sua história ou testemunho sobre este problema de saúde, que não precisa de ser uma inevitabilidade. 
Escreva para orostodaanemia@gmail.com