segunda-feira, 29 de junho de 2020

A anemia na ‘idade do armário’


Adolescência é, quase por definição, a fase da rebeldia. Mas a também conhecida como ‘idade do armário’ é uma altura da vida em que é grande o risco de deficiência de ferro, assim como a anemia, que lhe é associada. Tudo começa com as mudanças nos hábitos alimentares, tantas vezes resultado de uma necessidade de afirmação na família ou da influência dos amigos. Fatores que, na maioria dos casos, dão origem a uma carência em ferro, responsável principal da anemia neste grupo etário. Não só a dieta é, muitas vezes, pobre neste nutriente essencial, o ferro, como são também maiores as necessidades do mesmo durante neste período, caracterizado por um rápido crescimento e desenvolvimento muscular, que resulta num aumento do volume de sangue. Apesar de haver poucos dados disponíveis sobre a prevalência da deficiência em ferro nos adolescentes, as estatísticas apontam para uma prevalência na ordem dos 9% nas raparigas dos 12 aos 15 anos e de 16% nas jovens dos 16 aos 19 anos, valores que são mais baixos no caso dos rapazes. Tal como acontece na idade adulta, também nesta fase da vida o sexo masculino é quem mais sofre, uma situação atribuída sobretudo às perdas mensais das raparigas durante o período menstrual. Estar atento aos sintomas e sinais é, por isso, essencial, tanto mais que, na maioria dos casos, o início da anemia é pouco percetível, com os sintomas, como cansaço, palidez, irritabilidade, cefaleias e até alterações no comportamento escolar, a confundirem-se facilmente com outros problemas de saúde. O que significa que é importante conhecê-los, divulgá-los e partilhá-los.

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Perguntas e respostas sobre anemia e deficiência de ferro em tempos de COVID-19


De forma súbita e avassaladora, o novo coronavírus fechou-nos em casa, afastou-nos de quem mais gostamos, impediu-nos de trabalhar e tornou-se uma ameaça à saúde. As perguntas, muitas das quais ainda por responder, sucedem-se, assim como as dúvidas, partilhadas por quem vive com anemia. Para estes e todos os que se preocupam com o tema, o Professor Robalo Nunes, presidente do Anemia Working Group Portugal, abordou o tema, em curtos mas esclarecedores vídeos, que podem ser vistos aqui.
Uma das perguntas mais frequentes diz respeito aos grupos de risco: têm as pessoas que sofrem de anemia maior risco de infeção pelo novo coronavírus do que as restantes? “A primeira questão a ter em conta é que nós ainda não sabemos muito sobre esta matéria, ainda estamos numa fase de aprendizagem”, confirma o especialista. Mas a verdade “é que a anemia, independentemente da causa subjacente, compromete sempre a capacidade de transporte de oxigénio a todos os órgãos e a todos os tecidos. E, por essa via, é um fator de agravamento de patologias preexistentes ou de patologias que se vierem a instalar. É isto o que sabemos por agora”, esclarece. Existem também dúvidas associadas aos cuidados que as pessoas com anemia devem ter no contexto da COVID-19. Aqui, Robalo Nunes defende que, “constituindo a anemia um fator de agravamento e de suscetibilidade eventual, devem ser cumpridas, com particular cuidado, aquelas que são as recomendações das autoridades de saúde: o confinamento em casa, a manutenção rigorosa do distanciamento social quando for inevitável a deslocação a espaços com aglomeração de pessoas, a higienização repetida e correta das mãos, com água e sabão ou com uma solução alcoólica, extensível a todo o agregado familiar e a todos os contactos, e a desinfeção de superfícies nas quais se tenha tocado ou que outrem tenha tocado e possa constituir um risco”. Ou seja, os cuidados que são válidos para a população em geral são também para quem sofre de anemia. E no caso de quem tem deficiência de ferro? Para estes, o médico aconselha a que comecem, caso ainda não o façam, o tratamento correspondente, que deve ser sempre prescrito por um médico. Para os que já o fazem, há que continuar, cumprindo a terapêutica instituída, já que, com ou sem anemia, “além de comprometer a questão do transporte de oxigénio, a deficiência de ferro compromete também o metabolismo energético, isto é, a energia que a pessoa tem para despender seja nas suas atividades da vida diária ou noutro tipo de atividades quaisquer que possa ter de fazer circunstancialmente”. Muitos são os que, nestes tempos de pandemia, temem as idas ao médico. É ou não seguro consultar o médico no caso de sintomas de deficiência de ferro e/ou anemia? “Naturalmente que se houver sintomas é importante que estes sejam abordados pelo médico assistente e, hoje em dia, mesmo que tal não seja feito de forma presencial existem maneiras (por teleconsulta, videoconferência ou linhas dedicadas ao esclarecimento de dúvidas) que podem ajudar, e muito, sem que haja grande exposição ao risco da pessoa ter que sair, principalmente nos grupos de risco mais vulneráveis”, reforça o especialista. Resumindo: “é seguro consultar o médico, o que não é seguro é deixar arrastar a situação ao ponto em que esta possa sofrer um agravamento que seja, de facto, constituído com um risco acrescido”. 

quinta-feira, 9 de abril de 2020

Identificar e tratar a anemia para salvar vidas


Há necessidade de sangue em Portugal. Os sucessivos apelos dão conta disso mesmo e motivam preocupação, não só a nível nacional. Esta escassez não é um exclusivo do nosso país, sendo partilhada por muitos outros que, a braços com uma epidemia global que se combate também através do distanciamento social, têm visto os dadores afastarem-se, receosos de uma possível exposição ao vírus. Em risco ficam os doentes cujas vidas dependem da transfusão de sangue. 

É por ter consciência da iminência desta escassez, causada pela pandemia do COVID-19, que a Society for the Advancement of Blood Management (SABM) decidiu deixar um alerta. Em comunicado, reforça que “para preservar o declínio progressivo no fornecimento de sangue, os Estados Unidos e outros governos, bem como a Organização Mundial da Saúde, é essencial existir programas de Patient Blood Management (PBM) ou, por outras palavras, programas de gestão de sangue dos doentes.”

A SABM acredita que a implementação destes programas é a solução para que parte da atividade clínica necessária possa continuar, de forma a que as reservas de sangue disponíveis possam ser usadas por aqueles que delas mais precisam. Assim, recomenda, entre outras medidas, o diagnóstico e tratamento da anemia.

Se suspeita da doença, fale com o seu médico! Recordamos os sintomas: sensação de fadiga constante, falta de concentração, irritação, falta de memória, palidez, dores de cabeça, tonturas, extremidades frias… Para quem já tem diagnóstico, o conselho é simples: cumpra a medicação prescrita pelo seu médico. Cuide de si!

quarta-feira, 11 de março de 2020

Falta de ferro afeta cerca de metade dos doentes com insuficiência cardíaca


Estima-se que, na Europa e Estados Unidos, 1 a 3% da população adulta sofre de insuficiência cardíaca, problema cuja prevalência aumenta com a idade, chegando aos 5 a 9% dos indivíduos com mais de 65 anos. É expectável que um em cada cinco adultos venha a sofrer de insuficiência cardíaca ao longo da vida. Em Portugal, o estudo Epidemiologia da Insuficiência Cardíaca e Aprendizagem (EPICA), estimou uma prevalência de 4,36%. A estes números junta-se outro: cerca de 50% destes doentes apresenta deficiência de ferro.
Numa entrevista recente, a cardiologista Prof.ª Doutora Cândida Fonseca confirma que uma das comorbilidades que mais influencia, pela negativa, o prognóstico de insuficiência cardíaca é a deficiência de ferro. Os motivos para que o ferro falte são vários e vão desde uma insuficiente ingestão ou absorção, a hemorragias gastrintestinais associadas à medicação ou até ao processo inflamatório que se encontra subjacente à insuficiência cardíaca.
Seja qual for o motivo, o importante é fazer frente a esta deficiência de ferro que, quando não tratada atempada ou convenientemente, pode ter como consequência a anemia e, mesmo sem a presença desta, agrava o prognóstico dos doentes. Um tratamento que tem como objetivos não só a melhoria do estado clínico do doente, como ainda da sua capacidade funcional e da qualidade de vida, prevenindo os reinternamentos e reduzindo mesmo a mortalidade.
A mensagem, para estes doentes, é simples: é necessária a realização de análises laboratoriais regulares para garantir um diagnóstico atempado da deficiência de ferro. Até porque este é um problema que, apesar de afetar tantos doentes e de ter tratamento, fica muitas vezes por identificar.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Anemia, um inimigo na vida no doente oncológico


A batalha contra o cancro nunca é fácil ou simples. Dividida em várias frentes, castiga o corpo e debilita a mente de quem tem de enfrentar o diagnóstico. A tudo isto junta-se ainda a anemia que, confirmam os números, é uma situação comum, atingindo entre 30% a 90% destes doentes. Com implicações que podem ir da fadiga, diminuição na qualidade de vida e até mesmo um impacto no tratamento, sendo mesmo responsável pelo não cumprimento dos ciclos de quimioterapia, a anemia é um inimigo que, nesta guerra, importa não descurar. Definida pela Organização Mundial de Saúde, como uma concentração da hemoglobina inferior a 13g/dl para o homem adulto e a 12g/dl para a mulher adulta ou, ainda, uma descida brusca ou gradual de pelo menos 2g/dl de hemoglobina, ainda que esta se mantenha dentro dos limites normais para a idade e sexo, a anemia tem um impacto que deixa marcas. Para além de tudo o já tem de enfrentar, resultado da doença e do tratamento que a acompanha, o doente oncológico é ainda obrigado a lidar com estas marcas, a começar pela fadiga, que afeta muitos dos aspetos da sua vida diária, seja a capacidade de trabalhar ou desfrutar da vida, o bem-estar físico ou emocional, a intimidade com o(a) parceiro(a), a capacidade de cuidar da família e a relação com a mesma e com os amigos. Resultante da própria doença, dos efeitos do tratamento ou de deficiências nutricionais, a anemia no doente oncológico é, muitas vezes, subdiagnosticada e subtratada, o que tem reflexos importantes na sua qualidade de vida. Mas não tem de ser assim. É que são várias as opções terapêuticas, que dependem do estado anémico em que o doente se encontra, assim como de outros aspetos, como a existência ou não de deficiência de ferro, esta última apontada como a causa principal que, sozinha, se associa a uma diminuição da resistência ao esforço, fraqueza muscular e fadiga. O tratamento existe e, para isso, nada melhor, do que falar com o seu médico assistente e transmitir-lhe o que sente.

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Mais do que resoluções, faça decisões de ano novo


Com a chegada do ano novo, multiplicam-se as resoluções, transformadas em promessas: que este ano vamos praticar mais exercício físico, que vamos comer melhor, que vamos estar mais atentos à saúde. Promessas que não costumam passar disso mesmo. 

As desculpas para tal são muitas, como a falta de tempo, a agitação do dia-a-dia, a falta de paciência. Mas tendo em conta que a anemia, sobretudo aquela que é associada a uma deficiência de ferro, é já considerada um problema de saúde pública, afetando milhares de portugueses, e tendo em conta também que o teste que confirma a sua presença é simples e de fácil acesso, não há nada que impeça que a atenção à anemia e deficiência de ferro se torne, mais do que uma resolução, uma decisão para 2020.

Para isso, basta apenas que se dirija ao seu médico e que peça para fazer o exame de sangue.

Mais info em (https://orostodaanemia.blogspot.com/2019/07/descobrir-anemia-os-exames-que-poem.html), que valoriza os sintomas e que procure mais informação. Passe das palavras à ação e junte-se à luta contra a anemia.

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

Dicas e conselhos para um Natal de ferro


Quando se fala de anemia tem de se falar de deficiência de ferro, uma vez que esta, ainda que não seja a única, é a principal responsável pelos casos de anemia. E quando se fala em ferro é quase inevitável falar em alimentação, tema que vem a propósito da quadra natalícia. Afinal, quem é que ainda não pensou sobre qual a melhor forma de apresentar o bacalhau da consoada, qual o melhor prato para a mesa do dia 25 ou que sobremesas prometem adoçar esta noite em família? 

Porque a prevenção continua a ser o melhor remédio e porque, aqui, esta passa pela alimentação, que tal reforçar a atenção prestada ao que coloca no prazo nesta época? É no equilíbrio que está o segredo e este significa comer com conta, peso e medida, mesmo que seja complicado resistir a todas as tentações que costumam encher a mesa nesta altura do ano.

Seja um menu mais tradicional ou mais arrojado, há opções saudáveis para todos os gostos. Se é vegetariano, o blog do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, da Direção-Geral da Saúde, deixa uma sugestão rica em ferro e não só: abóbora-menina recheada com castanhas, cogumelos e avelãs (uma receita que encontra aqui), que junta os hortícolas da época, aos frutos gordos, resultando num prato “rico em sabores e texturas”, complementado com um puré de feijão branco.